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Carreteiro sem charque

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Confira a coluna de Antonio Augusto Fagundes, publicada no último sábado (08), em Zero Hora

Arroz-de-carreteiro sem charque?! Impossível. Mas é o que vamos discutir hoje aqui.

Charque e arroz, no Rio Grande do Sul, combinam tão bem que formam o segundo prato mais famoso da culinária gaúcha. E não exige muita coisa: um pouco de gordura (que pode ser do próprio charque), um guisado de charque bem refogado e um punhado de arroz e água. Pode haver coisa mais simples? Muita gente, porém, enfeita o rabo do lagarto botando cebola, alho, batatinha e tempero verde, mas nada disso é fundamental. Vamos examinar alguns pratos chamados arroz-de-carreteiro e ver se são de fato a nossa famosa comida tradicional.

1) Arroz com faxina – A faxina é uma tira de carne vacum da grossura de um dedo e com um comprimento de palmo ou mais. Corta-se a faxina da carne do boi, atira-se tudo numa gamela e põe sal grosso. Todas as manhãs, durante três dias, põe-se fora aquele caldo sangrento e salgado que se acumula na gamela. No começo do quarto dia tira-se as faxinas do recipiente, bate-se o sal grosso e pendura-se as peças numa corda, num arame ou num galho fino de árvore, num lugar de que possam pingar permanentemente, mas onde não tomem sol. Depois de três dias pode-se preparar a comida como um arroz-de-carreteiro comum.

2) Arroz com resto de churrasco – Picar o que restou do churrasco num guisado do tamanho de uma unha, bater bem o sal, passar a carne em água fria, refogá-la em um pouco de gordura, botar o arroz para refogar também e dar uma boa mexida com colher de pau até tudo ficar refogado, com o arroz dourado e bem soltinho. Aí, deita-se água morna, cobrindo a mistura com um dedo e meio de altura. Quando levantar a fervura, é só provar o sal. Se estiver faltando, botar mais sal até equilibrar. Abaixa-se o fogo e assim, em fogo brando, mais uns quinze minutos e a comida estará pronta.

3) Arroz de geladeira – É assim: pica-se carne verde como se fosse para fazer um arroz-de-carroceiro. Coloca-se a carne picada num pote de louça com sal. Sempre que juntar aquele líquido sanguinolento, é jogado fora. Quando a carne perder a cor vermelha, estará pronta para se fazer um prato assim como se faz o arroz-de-carreteiro. Qualquer pessoa pode ter esse pote de carne na geladeira para fazer com arroz a qualquer hora.

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