(Publicado em Zero Hora, de 3 de outubro) Atentos às orientações do instrutor, alunos deixam de lado suas limitações e seguem o ritmo da música. Eles fazem parte de um grupo de adolescentes, jovens e adultos especiais que estão aprendendo danças típicas gaúchas na Associação Grupo Chimarrão da Amizade Gentil Gomes de Oliveira, no bairro Mathias Velho, em Canoas.
Acadeira de rodas não impede Leandro Miguel de Quadro, 36 anos, de experimentar a chula. Pilchado, ele empurra a cadeira com as mãos e sapateia de um lado para outro da estaca. Moradora de Nova Santa Rita, Suleine Madruga se desloca toda a semana para Canoas para ver o filho, Emerson Alves, 27 anos, deficiente mental, fazer uma das coisas que mais gosta: dançar.
Embora o nome possa levar a crer que se trata de um Centro de Tradições Gaúchas (CTG), o foco da entidade é a integração de pessoas com deficiência mental e múltipla. Foi com esse objetivo que a associação surgiu, em 1981 – iniciativa de moradores da região. Em setembro, o projeto de invernada foi um dos 230 selecionados para receber recursos do governo estadual por meio do programa Rede Parceria Social (RPS).
Com a proposta aprovada, duas turmas de dança foram abertas, uma nas quartas e outra nas quintas-feiras. Dentro de algumas semanas, os alunos também participarão de uma oficina que abordará temas da cultura gaúcha. Segundo a coordenadora de projetos da associação, a psicóloga Adriana Rublescki, a ideia é que eles se apresentem em eventos, além de visitarem festivais e rodeios. Em breve, um blog divulgará as ações da invernada.
- A cultura é um instrumento importante para a integração. Pessoas com deficiência não têm muitas oportunidades. Queremos valorizar o potencial deles. O projeto receberá recursos durante oito meses, mas queremos continuar com as aulas depois desse período – afirma Adriana.
É responsabilidade do instrutor de dança Cristian Pons, 23 anos, ensinar os alunos. Para ele, ver o esforço do grupo é a um prêmio para o trabalho.
- Minha maior recompensa é vê-los alcançando limites. É gratificante saber que eles estão descobrindo a capacidade que têm – diz.









