Segue abaixo a poesia vencedora do Concurso de Poesia Guilherme Schultz Filho, de autoria de Dilmar Paixão.
O PINGO E O DONO
Amestrado pela lida
nas muitas rondas que fez
foi mastigando altivez,
aquele pingo de lei.
Por tudo aquilo que eu sei
tinha raça e rapidez.
Foi de petiço luzeiro
a cavalo de Comando.
Trono do dono mascando
os dias, porque Confiança,
levava o laço e a lança,
Gesta de Clarim tocando.
Na guerra foi Liberdade.
Depois, o pingo tostado
e o picaço bem domado,
que entrou na Querência Eterna.
O pingo de quem governa,
ao seu dono, faz costado.
Por isso, quando o chamaram
com o nome de Experiência,
o pingo pôs-se tenência
orgulhoso do seu dono,
engalanou-se ao Patrono
e caprichou na cadência.
Quantas vezes pastou solto
aguardando pela Audiência
ou conduziu Vossa Excelência
pro debate arrojado,
pois pingo de Advogado
deve sempre ter paciência.
Na, Crioula, Academia
inspirava o verso e o vate,
que, enquanto sorvia o mate,
trançava nova poesia,
dessas que a alma bravia
pesa feliz por quilates.
Foi o pingo da Presidência
da Estância da Poesia
que o poeta, porque sabia,
sem precisar comitê,
comandou-a e ao MTG:
rédeas firmes e maestria.
Hoje passeia em ideias,
pois pingo tem alma e pensa.
Se já não há o que compensa
a dor do outono e o céu,
resta lembrar que troféu
nunca cobriu perda imensa.
Mas, seu dono foi um taura.
Pelos versos, um andarilho.
Das letras, um norte e o brilho
nominado em homenagens,
um líder entre personagens:
o Guilherme Schultz Filho.









